Além de indústrias de tecido, o fio desse bichinho já foi alvo de estudo da USP, para a produção de enxertos ósseos mais acessíveis.
Bicho-da-seda produz proteínas de interesse biomédico há séculos.
Pixabay Quando falamos em artesãs da natureza, normalmente, vêm à mente as aranhas - que constroem teias que são verdadeiras obras de arte.
Mas você conhece o bicho-da-seda (Bombyx mori)? Esse inseto, nativo da China, é da família das mariposas e borboletas e também é um arquiteto nato.
Assim como seus familiares, esse bicho passa por um processo de metamorfose e produz um nobre e cobiçado fio para construir um casulo que o protege durante o processo.
Como o próprio nome indica, esse inseto produz a seda - um dos tecidos mais valorizados do mundo.
E esse material vem do casulo desse inseto super-habilidoso.
De acordo com o educador ambiental, Matheus Mesquita (Biomesquita), assim que o inseto completa o seu ciclo de transformação, ele abandona a "casa", que é recolhida e usada por indústrias têxteis, que em um trabalho manual, desmancham esse casulo fio a fio.
"Ele é feito de um material que sai do corpo do animal em estado líquido, mas que ao entrar em contato com o ar se solidifica instantaneamente, formando então o fio da seda, com o qual o bicho se envolve construindo o casulo", conta o especialista.
Conheça curiosidades sobre o bicho-da-seda Ainda segundo o especialista, os insetos em fase adulta vivem apenas por 16 dias.
"Apesar disso, o tempo é suficiente para que cada inseto deposite até 400 ovos no local onde estão, garantindo a próxima geração de animais produtores", afirma Mesquita.
Bicho-da-seda: além da produção de tecidos Recentemente, foram divulgados estudos que apontam que esse bicho pode representar a solução para resolver problemas ambientais e até na medicina.
Cientistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), concluíram que o bicho-da-seda pode produzir uma "cola natural" eficiente para descontaminar a água.
A substância "pegajosa" vem de uma proteína, chamada sericina, que une os fios de seda uns aos outros, cimenta e protege o fio no casulo.
Esse material, normalmente, é descartado como resíduo, e pode ser utilizada para remover metais tóxicos e descontaminar a água de rios por exemplo.
Cola do bicho da seda pode remover metais tóxicos e preciosos da água Thiago Lopes da Silva/Arquivo pessoal Enxerto ósseo com fio da seda Já especialistas da USP de São Carlos mostraram que é possível usar o fio da seda como enxerto ósseo, reconstruindo o tecido perdido - o que proporciona melhor aceitação do organismo, facilitando a formação de vasos sanguíneos e a multiplicação das células.
Além disso, oferece um valor de mercado mais acessível aos pacientes.
A técnica é feita a partir da fibra de alta dureza e resistência, que, em conjunto com um biomaterial de fosfatos de cálcio, é desenvolvido o enxerto.
Esse é um material prático: pode ser produzido em 24 horas e o melhor: custando 25% menos do que os comercializados atualmente.
Cientistas da USP criam enxertos ósseos 25% mais baratos a partir do casulo do bicho-da-seda Henrique Fontes/IQSC Mais sobre o bicho-da-seda Esse é um inseto economicamente importante, sendo um produtor primário da seda.
A comida preferida desse bichinho é a amoreira branca (Morus alba).
Na verdade, ele se alimenta exclusivamente dessa folha que lembra o formato de um coração.
No processo de metamorfose, quando está quase se transformando em mariposa, a lagarta tece em volta de si mesma um casulo para se proteger.
Feito de fibra leve e suave, o "abrigo" usado temporariamente pelo bicho, depois, é descartado pelo inseto.
Esse pequeno pedacinho de tecido bruto vira matéria-prima para a fabricação da seda, um dos tecidos mais valorizados na indústria da moda.
Proteína extraída do casulo do bicho-da-seda é utilizada para produção de enxerto ósseo Pixabay História milenar A criação do bicho-da-seda (Bombyx mori L.
) é uma prática antiga – já era usada há quatro mil anos na China Imperial para a obtenção das vestimentas utilizadas pelos membros da nobreza.
A atividade foi também uma das primeiras a ganhar impulso no Brasil após a chegada da família real portuguesa, no início do século XIX.
No Brasil, a introdução do bicho-da-seda ocorreu no estado do Rio de Janeiro, em 1848.
A prática só chegou à Campinas, 74 anos depois, em 1922.
Para produzir um quilo do material, são necessários três mil bichos-da-seda (e cerca de 100 folhas de amoreira - única planta da qual essa larva se alimenta.
Produtores de bicho-da-seda no Paraná apontam prejuízos causados pelo uso de agrotóxicos em propriedades vizinhas Reprodução/RPC
Publicada por: RBSYS
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