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Descoberta: sapo 'velhochico' é a representatividade do Nordeste brasileiro

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Descoberta: sapo 'velhochico' é a representatividade do Nordeste brasileiro

Só em 2022 já foram catalogadas seis espécies de anfíbios em três biomas diferentes; todos eles são exclusivos do país, o que comprova a importância de conservar esses animais.

Descoberta: sapo 'velhochico' é a representatividade do nordeste brasileiro Um recém-descoberto sapinho da Bahia foi batizado com um nome que é a mais pura representatividade do nordeste brasileiro: 'velhochico' (Proceratophrys velhochico).

A espécie exclusiva do nosso país tem um canto diferente, que chamou a atenção de pesquisadores.

(veja o vídeo) De acordo com a bióloga Sarah Mângia Barros, a escolha do nome do anfíbio é uma homenagem a um dos principais rios no Brasil, o São Francisco.

"Esse rio cruza mais de 2.

800 quilômetros de extensão do território brasileiro, nascendo no estado de Minas Gerais e fluindo pela Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Popularmente conhecido como Velho Chico, o rio margeia parte da região do Boqueirão da Onça, no estado da Bahia, lugar onde a nova espécie foi descoberta" Velhochico é nome de espécie descoberta na Bahia Felipe Leite Ainda segundo a especialista, a espécie foi registrada a partir dos 800 metros de altitude.

"Ou seja, ela é uma espécie exigente com relação ao habitat e, até o momento, não foi encontrada em áreas mais baixas".

O 'velhochico' é mais um símbolo de diversidade do Brasil.

Afinal, não chegamos nem ao fim do primeiro trimestre de 2022 e pesquisadores já catalogaram seis novas espécies de anfíbios.

Todos com o "DNA brasileiro".

Presentes da natureza Sarah é taxonomista (pessoa que desvenda a biodiversidade), e desde 2011 já descreveu 10 novas espécies de anfíbios.

"A sensação de descobrir algo inédito é sempre a mesma: extraordinária! É um processo longo para que essa descoberta se torne pública, mas os anos de estudo e dedicação valem a pena, uma vez que a descrição do P.

velhochico pode trazer ainda mais força para a conservação da região do Boqueirão da Onça, que representa o maior remanescente contínuo de Caatinga" A região já é considerado um 'hotspot' para conservação da biodiversidade.

"Este resultado só ressalta o quanto a área tem potencial para abrigar as já conhecidas espécies e as que ainda nem sabemos da existência", conclui ela.

Espécie da Caatinga é uma das 6 catalogadas em 2022 Diego Cavalheri Características do velhochico De acordo com a bióloga, a espécie tem um tamanho médio para o gênero: os machos medem de 32 até 39 milímetros.

Enquanto as fêmeas, podem ser bem maiores: chegando a 44 milímetros.

O 'velhochico' foi classificado como uma nova espécie, já que possui características que o diferem de todas as outras 42 espécies de Proceratophrys, mas todas muito técnicas e notadas principalmente por especialistas.

"Podemos citar, por exemplo, a ausência de tubérculos na pálpebra superior, apresentando apenas um aspecto 'enrugado' (devido a presença de um apêndice na pálpebra - único e longo)", explica Sarah.

"Uma curiosidade é que o anfíbio apresenta uma distância genética de 7% no gene mitocondrial de outras espécies do gênero.

Esse valor é alto, levando em conta que a partir de 3% de distância genética já é considerada uma espécie distinta", afirma a pesquisadora.

Brasil soma 6 espécies de anfíbios em 2022 rã-enfermeira é nova espécie da Amazônia reprodução/PeerJ Os anfíbios do Brasil, sem dúvida, revelam a beleza e a diversidade.

Afinal, só em 2022, já foram descobertas seis novas espécies, em três diferentes biomas, sendo: AMAZÔNIA - Allobates paleci: o nome da espécie faz referência a etnia Apiaká, que vivem nas proximidades da localidade dessa espécie.

- Pristimantis relictus: o epíteto significa "deixado para trás", abandonado.

O nome se refere a distribuição geográfica isolada da espécie que fica entre a Amazônia e a Mata Atlântica.

- Scinax albertinae: o nome é uma homenagem a Albertina Pimentel Lima, do INPA, por suas contribuições à ecologia e taxonomia das rãs amazônicas.

CAATINGA - Proceratophrys velhochico: uma homenagem à um dos principais rios no Brasil, o São Francisco.

O rio margeia parte da região do Boqueirão da Onça, no estado da Bahia, lugar onde a nova espécie foi descoberta MATA ATLÂNTICA - Phantasmarana curucutuensis: O nome tem relação com o local onde foi encontrado: próximo a uma fazenda chamada Curucutu que se tornou área de preservação estadual de São Paulo.

- Phantasmarana tamuia: o nome de origem indígena faz homenagem ao povo tamuia, que habitava os locais onde a espécie foi encontrada.

Pelo menos 41 anfíbios que ocorrem no Brasil estão ameaçados de extinção Pedro Peloso/Arquivo Pessoal Descobertas em alta e conservação necessária No ano passado, o número seguiu alto: 21 novos tipos de sapos, rãs e pererecas.

E o mais curioso: a maioria desses bichos são exclusivos do nosso país.

Ou seja, é preciso cada vez mais ir à campo para descobrir esses animais e conservá-los.

Afinal, os anfíbios, que podem ser pequenos quanto um grão de café ou tão grandes quanto coelhos, representam equilíbrio ao ecossistema.

Apesar de terem desenvolvido uma série de mecanismos de defesa, hoje entre as criaturas mais vulneráveis do planeta.

Estima-se que mais de 200 espécies de sapos foram extintas desde os anos 1970 e cerca de 10% das que restaram estão fadadas ao desaparecimento até 2100.

Girinos e rã são fotografados por menino de apenas 11 anos.

Walter Lovell / BWPA / via BBC Como são os girinos? Você sabia que o Brasil é o país com maior número de espécies de anfíbios do mundo inteiro? De acordo com Denise de C.

Rossa Feres, professora aposentada e voluntária da Unesp de Rio Preto e atual presidente da Sociedade Brasileira de Herpetologia, é importante saber que a grande maioria das espécies depende do ambiente aquático para se reproduzir.

"Os machos cantam, atraem as fêmeas e o casal deposita os ovos na água.

São raros os casos de espécies que vivem em ambientes úmidos como na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica e tenham a reprodução independente da água.

A maioria tem reprodução aquática e dos ovos nascem nos girinos", destaca.

A maioria das pessoas conhece aqueles girinos pretos, cabeçudos, que são os girinos do sapo.

Mas as rãs e as pererecas têm os seus próprios girinos, que são diferentes um do outro.

Existem espécies com grande variedade de formas e de cores.

Vista dorsal e ventral do girino da espécie recém-descrita Allobates nunciatus J.

Magnusson/Arquivo Pessoal Equilíbrio da natureza Ainda segundo Denise, os girinos são ótimos indicadores da qualidade da água.

Porque eles são sensíveis à mudanças no PH, no oxigênio, na presença de poluentes.

Então, eles considerados excelentes bioindicadores de qualidade ambiental.

"Os girinos indicam a qualidade do ambiente, e de modo geral, os anfíbios ainda controlam a quantidade de espécies de insetos, evitando infestação de pragas.

E também são presas que sustentam várias outras espécies de vertebrados e invertebrados.

POrtanto, essas espécies desempenham um papel muito importante no meio ambiente", conclui.

Refúgio para raridades do Brasil A especialista ainda conta que as descobertas ressaltam a importância das unidades de conservação, como parques e reservas, para manutenção da tanto da biodiversidade conhecida, quanto das espécies que ainda vamos conhecer.

Isso porque, a maior parte das espécies de anfíbios precisa de ambientes muito bem preservados para sobreviver e atualmente são afetados pela destruição ou degradação de seus habitats, pela proliferação de doenças causadas por fungos e vírus e pela poluição das águas com herbicidas e pesticidas.

Estudo revela espécies raras Arte/TG Paula Valdujo ressalta as propriedades rurais precisam manter reservas legais e áreas de preservação permanente, que se bem manejadas e protegidas, complementam as unidades de conservação em seu papel de proteger a biodiversidade.

"Áreas de preservação permanente (conhecidas com APPs) são especialmente importantes porque protegem nascentes e a vegetação próxima a corpos d'água, como rios, riachos, lagoas, que são fundamentais para a reprodução de várias espécies de anfíbios", explica.

Espécies de anfíbios prejudicadas pelo fungo.

Arte TG Avanço em estudos das espécies Paula explica ainda que os avanços em estudos são importantes para manter a conservação das espécies.

Mas para isso, é preciso conhecer características e comportamentos das espécies já catalogadas.

"Para conhecer nossa biodiversidade, pesquisadores espalhados por universidades e museus no Brasil vão a campo para encontrar anfíbios, estudar o ambiente onde eles vivem, gravar seus cantos e coletar amostras de DNA", conta.

Isso faz com que mais tarde, no laboratório sejam utilizados os resultados para conhecer mais sobre as diferenças entre as espécies, e entender como elas evoluíram e como se distribuem nos diferentes ecossistemas.


Publicada por: RBSYS

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