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Mestre Artesão João das Alagoas tem histórias retratadas em livro

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Mestre Artesão João das Alagoas tem histórias retratadas em livro

Artesão da cidade de Capela contou parte da trajetória e dos seus planos para o futuro.

Livro 'Da terra, o barro.

Da arte, a vida' é da jornalista Marta Moura.

João das Alagoas modelando peça que é característica da sua obra Wanderson Oliveira/Assessoria Patrimônio Vivo do Estado desde 2011, João das Alagoas é reconhecido como um dos maiores esculturores do Brasil.

Ele é famoso pelas esculturas de cerâmica e pela oficina onde multiplica sua arte, formando novos artistas.

Neste sábado (19), as histórias desse homem simples da cidade alagoana de Capela, e que representa tão bem a riqueza cultural do Paraíso das Águas, se tornam ainda mais acessíveis com o lançamento do livro "Da terra, o barro.

Da arte, a vida", da jornalista Marta Moura.

Mestre no modelar de lapinhas e cenas do cotidiano, seu João tem como marca registrada o boi-bumbá.

Nas suas histórias, o amor a arte é tão presente quanto as formas que representam a vida simples do nordestino tradicional.

“Eu comecei a fazer minhas esculturas com cerca de 6, 7 anos de idade.

Eu ia pra feira em Capela e via várias pessoas vendendo os boizinhos, os presépios.

Aí resolvi fazer para mim mesmo, por gostar e para brincar”, relembra ele.

O artesão disse que sua iniciação no mundo artístico começou com os desenhos e pinturas, mas que foi levado para as esculturas pela abundância de matéria-prima e pela facilidade.

“Eu sempre desenhei e fiz minhas pinturas.

Já tive até uma fase onde fiz algumas pinturas de óleo sobre tela, foi quando participei da minha primeira exposição, em Campinas [interior de São Paulo], mas acabei voltando para as esculturas por ser mais fácil de encontrar o material”, explicou.

Apesar de hoje ser grato pela sua atual condição financeira, o artesão teve uma vida bem dura e trabalhou pegando no pesado, até quando decidiu viver da própria arte.

“Eu trabalhei muito pesado.

Fui peão.

Arrumei prateleiras de supermercados.

Fui embalador de milho, feijão e outros grãos.

Varri muito chão.

Em 1987, decidi viver só da minha arte.

Foi muito difícil.

Eu não tinha conhecimento, mas consegui pagar o básico.

Consegui fazer a feira e pagar a água e a luz.

Gosto de uma vida simples.

Eu só queria ter uma condição para quando chegassem os dias de hoje, eu tivesse o dinheiro de ir a uma feira para manter a semana e hoje até sobra para fazer uma viagem de vez em quando”, se diverte.

As pequenas viagens são parte do trabalho.

“Hoje dá até pra fazer turismo.

Ontem fui a Sergipe pra levar uma peça.

Minha Disney é a arte popular.

É isso que gosto de fazer.

Neste sábado mesmo, que vou a Recife, vou levar duas obras pequenas, dois boizinhos que cabem nas mãos”, revela o artista.

Modelagem do 'boizinho' ao lado da jornalista Marta Moura Wanderson Oliveira/Assessoria Como todo artista, João das Alagoas tem muitas referências.

A principal é o pernambucano Mestre Vitalino, que retratava imagens do cotidiano do sertanejo nordestino, obras reproduzidas em formas e cores ao longo de décadas.

Entretanto, João das Alagoas tem referências que somadas à cultura popular sertaneja fazem com que sua arte tenha características próximas.

“Quando comecei, ainda criança, eu via nos livros de história os desenhos, as figuras e gostava disso.

Mas quando comecei a conhecer arte, pintores como Van Gogh, Candido Portinari e Di Cavalcanti se tornaram grandes referências para mim”, afirma.

Essa diversidade avançou em sua arte.

Além da pintura e dos desenhos, o artista também fez esculturas em madeira.

“É mais difícil.

O barro me deu mais possibilidade, a gente acha com mais facilidade e tem a química.

É preciso ver a mistura.

Com essa coisa do meio ambiente prefiro não trabalhar mais com a madeira”, revelou.

Ele explicou para o g1 que as vezes o barro é muito granulado, e que por isso é preciso retirar o excesso de areia.

Contudo, o barro também pode ser muito liso, aí é necessário acrescentar um pouco de areia para que ele passe no processo de cozimento após a etapa de modelagem.

“O barro eu preparo ele.

Se ele tiver areia de mais eu tiro o excesso, se tiver de menos eu acrescento.

E com a internet eu tenho aprendido muito.

A internet ajuda muito a melhorar a qualidade da matéria-prima”, disse.

Com 63 anos, muitas pessoas começam a se preparar para encerrar suas atividades de trabalho, mas João das Alagoas segue cheio de planos para levar sua arte a um passo adiante.

Acompanhado dos filhos, ele continua estudando possibilidades de levar a arte ao máximo de pessoas possíveis.

“Tenho três filhos e todos vivem de arte.

O João Carlos tem oficina no Jaraguá.

Já a minha filha é formada em psicologia no Cesmac, mas está buscando estruturar um projeto de terapia ocupacional com arte e montar uma oficina para isso.

Acho que o João poderá ajudar ela com isso”, afirma o Patrimônio Vivo.

João das Alagoas Wanderson Oliveira/Assessoria Para encerrar a entrevista questionamos se uma vida marcada pela arte é uma vida feliz.

“Eu acho que seja.

Sou feliz com o básico.

Pesquiso sobre os artistas populares, acredito que se eles conseguissem o básico, se manter, fazer a feira e pagar água e luz eles seriam felizes.

É bem verdade que hoje eu consigo um pouco mais que o básico, mas se outros artesãos conseguissem fazer a feira e manter suas casas teríamos mais gente fazendo arte e sendo feliz”, concluiu.

Do barro das obras para as páginas do livro Escritora Marta Moura e uma das obras de João das Alagoas Wanderson Oliveira/Assessoria Essas e muitas outras histórias sobre esse Patrimônio Vivo de Alagoas poderão ser conferidas no livro "Da terra, o barro.

Da arte, a vida", de Marta Moura.

A escritora conta que a ideia surgiu quando ela começou a pensar em qual tema relativo ao Guerreiro de alagoas utilizaria para pesquisar.

"A ideia de pesquisar surgiu quando a princípio, comecei a pensar em qual tema relativo ao Guerreiro de alagoas eu utilizaria para pesquisar.

Eu sempre fui engajada nas pesquisas acerca dos nossos folguedos, e após o lançamento do meu documentário sobre a ilustre Mestra que tivemos em nosso estado, a saudosa Joana Gajuru, eu me entrelacei nas narrativas das cerâmicas de João das Alagoas com o interesse em saber os motivos pelos quais ele retratava em suas peças temas como o Guerreiro.

E nesse universo, acabei analisando 9 temas mais frequentes que eram demonstrados a partir de suas memórias locais.

", conta.

A jornalista revela que nessa imersão das pesquisas analisou nove temas mais frequentes que eram demonstrados a partir das memórias locais de João.

“Seu João, como costumo chamá-lo, é nosso cristal.

Não são todos que constrói em 30 anos essa herança cultural e formenta a arte do barro com tanta veemencia, intensidade e dedicação.

Ele é um artífice nato, muitas vezes um cientista, que descobre novas técnicas e elementos como vocês vão poder conferir no livro”, finalizou a escritora.

Livro é lançado em shopping de Recife Wanderson Oliveira/Assessoria Serviço: Lançamento do livro "Da terra, o barro.

Da arte, a vida", de Marta Moura Onde: Galeria Sobrado 7, Shopping Miramar – Recife Quando: Sábado (19) - 16h Assista aos vídeos mais recentes do g1 AL Confira mais notícias da região em g1 AL


Publicada por: RBSYS

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