Qualquer alimento pode causar reação alérgica, mas os mais comuns são as proteínas do leite de vaca, ovo, amendoim, soja, trigo e frutos do mar Quando a criança ingere um alimento e passa mal, surge a pergunta: pode ser alergia ao alimento? O chefe do Serviço de Gastroenterologia Pediátrica e Endoscopia Digestiva do Hospital Pequeno Príncipe, Dr.
Mário C.
Vieira (CRM-PR 8858), explica que a reação adversa a alimentos é um termo que se aplica quando há uma resposta clínica anormal que se segue à ingestão, contato ou inalação de um alimento e seus derivados.
Essas reações dividem-se em reações de intolerância e de alergia.
As reações de intolerância alimentar não são relacionadas a mecanismos imunológicos, sendo causadas por alimentos que contenham substâncias tóxicas ou farmacológicas, contaminantes químicos ou microbianos, ou que causem reações ou doenças metabólicas, como na fenilcetonúria (doença genética que afeta o metabolismo de proteínas).
Esse tipo de reação pode ser desencadeado ainda devido a deficiências enzimáticas, como a intolerância a lactose.
Considera-se uma alergia alimentar quando há uma reação adversa que envolve o mecanismo imunológico.
Qualquer alimento pode causar uma reação alérgica, no entanto os alérgenos mais comuns, representando cerca de 90%, são as proteínas do leite de vaca, ovo, amendoim, soja, trigo e frutos do mar.
Os sintomas da alergia alimentar podem ser imediatos ou tardios e se manifestarem no trato gastrointestinal, no aparelho respiratório ou na pele.
São eles: Reações imediatas: anafilaxia, urticária, sintomas respiratórios e vômitos agudos.
Reações tardias: as manifestações são principalmente gastrointestinais e incluem as doenças eosinofílicas gastrointestinais (nas quais ocorre o aumento do número de eosinófilos nos tecidos), e a enteropatia alérgica (inflamação com atrofia da mucosa intestinal).
Outros distúrbios adicionais são atribuídos à alergia alimentar, como alterações da motilidade gastrointestinal, que podem manifestar-se como cólica, sintomas de doença de refluxo gastroesofágico e constipação intestinal refratária.
As manifestações clínicas podem ser muito variadas, uma vez que um determinado alimento nem sempre desencadeia os mesmos sintomas, dependendo do órgão-alvo, dos mecanismos imunológicos envolvidos e da idade do paciente.
Diagnóstico O primeiro passo para diagnosticar a alergia alimentar é a obtenção da história clínica e o exame físico detalhados, com especial atenção à avaliação nutricional.
É necessário diferenciar as manifestações alérgicas de outras causas com sintomas similares, já que o tratamento da alergia alimentar implica a identificação e exclusão de alimentos da dieta.
Também podem ser realizados exames laboratoriais como a dosagem de anticorpos específicos contra os antígenos dos alimentos, mas que avaliam apenas as reações de início imediato.
“Devemos lembrar que não se faz o diagnóstico quando um teste é positivo, nem se afasta alergia alimentar quando o resultado é negativo”, ressalta o especialista do Pequeno Príncipe.
Os exames de endoscopia digestiva podem ser úteis nos pacientes com manifestações gastrointestinais e confirmar o diagnóstico de algumas afecções específicas.
Tratamento A base do tratamento da alergia alimentar é a dieta de exclusão.
A restrição na ingestão de alimentos não é isenta de dificuldades, portanto sua instituição deve ser considerada como uma prescrição medicamentosa, já que comporta uma determinada relação de risco-benefício.
De acordo com Vieira, a dieta deve ser individualizada, pois a eliminação de alimentos importantes pode levar ao risco de comprometimento nutricional.
É preciso que os pais e familiares saibam claramente que mesmo uma pequena quantidade de alérgeno pode manter a doença e provocar reações adversas.
Como tratar a alergia à proteína do leite de vaca O tratamento da alergia à proteína do leite de vaca (APLV) em lactentes inclui a utilização de fórmulas alternativas hipoalergênicas.
O gastroenterologista esclarece que os lactentes com APLV também apresentam alergia a outras fórmulas, incluindo os produtos sem lactose e o leite de outras espécies de mamíferos, como o de cabra e ovelha, de modo que nenhuma dessas fórmulas deva ser utilizada para o tratamento.
Na maioria dos casos, os lactentes toleram fórmulas extensamente hidrolisadas, e para os pacientes que continuam reativos a esses produtos é necessária a utilização de fórmulas baseadas em aminoácidos.
Na escolha do produto a ser utilizado devem ser considerados não somente o preço da fórmula, mas também a aceitação, os custos envolvidos no tratamento da desnutrição (infecções recorrentes e hospitalizações repetidas) e consequências futuras da desnutrição na infância.
Nas crianças alimentadas exclusivamente com leite materno e que apresentem manifestações clínicas compatíveis com APLV, deve-se instituir uma dieta isenta de leite e derivados para a mãe, devido à transferência de antígenos por meio do leite materno.
Prevenção Os fatores de risco associados ao desenvolvimento das alergias são vastos e incluem aspectos genéticos e ambientais.
No entanto, há poucas evidências a respeito de intervenções para diminuir o risco de doenças alérgicas, destaca Vieira.
A amamentação exclusiva com leite materno até os 6 meses e a introdução de alimentação complementar aproximadamente nesse período são recomendações que podem prevenir o desenvolvimento de alergia.
Restrições alimentares impostas à gestante não são recomendas, e a exclusão de alimentos da dieta da mãe que está amamentando deve ser considerada apenas se houver manifestação de sintomas de alergia no lactente em aleitamento materno.
Considerando que a composição da microbiota intestinal pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento de alergias, deve-se incentivar ainda o parto vaginal, utilizar antibióticos de forma criteriosa e evitar o uso de medicamentos inibidores de ácido utilizados para tratamento de doença do refluxo nos primeiros meses de vida.
Serviço de Gastroenterologia O Centro de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe é o único serviço de referência com atendimento exclusivo à especialidade no estado do Paraná e um dos principais serviços de gastroenterologia pediátrica do país.
Oferece atendimento a crianças e adolescentes que estão internados, assim como aos pacientes atendidos nos ambulatórios.
As atividades do Serviço de Gastroenterologia abrangem a atuação nos ambulatórios da especialidade, visitas médicas diárias, reuniões clínicas semanais e realização de endoscopia digestiva diagnóstica e terapêutica.
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Publicada por: RBSYS
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