Padrasto suspeito de matar menina envenenada gravou vídeo fazendo ameaças
Nábia Rosa Pimenta, mãe da menina que morreu envenenada após jantar com a família em Alto Horizonte, região norte de Goiás, disse que o padrasto das crianças enviou a ela um vídeo com ameaças, segundo apuração da TV Anhanguera. No vídeo, o suspeito Ronaldo Alves de Oliveira, de 46 anos, está visivelmente emocionado e fala sobre “dar um jeito na vida dos outros”.
Em nota, a defesa de Ronaldo disse que o vídeo em questão foi gravado há mais de três anos e que em momento algum foi relatado histórico de agressão por parte de Ronaldo contra as crianças. Disse ainda que recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar que ele é inocente, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à delegacia, justamente para colaborar com os esclarecimentos (veja o pronunciamento completo ao fim da reportagem).
Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, morreu no sábado (28), horas após o jantar. O irmão da menina, de 8, também passou mal após a mesma refeição e está internado no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN).
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Segundo apuração da TV Anhanguera, Nábia disse em depoimento à polícia que o vídeo foi enviado a ela em visualização única. Segundo ela, o vídeo poderia ser uma ameaça a ela e às crianças, já que o relacionamento era marcado por tensões.
“Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim. O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles”, disse em entrevista à TV Anhanguera.
Em entrevista, o delegado responsável sobre o caso, Domênico Rocha, disse que o suspeito pode ter se referido a ele mesmo aos filhos de Nábia. O padrasto está preso desde o dia 1º de abril e é investigado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio triplamente qualificado.
O padrasto de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, está preso suspeito de envenená-la
Reprodução/TV Anhanguera
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“Ele próprio declarou no vídeo que estava disposto a fazer algo com ele mesmo e com outras pessoas. Então ele pode ter dosado a concentração para ele e para as crianças”, relatou.
Além disso, o irmão que sobreviveu foi ouvido pela polícia e relatou que já havia sido agredido pelo padrasto, assim como a irmã. A Polícia Civil diz não descartar o envolvimento de terceiros e segue investigando mediante a análise de aparelhos celulares apreendidos, coleta de novos depoimentos e conclusão de laudos periciais complementares.
Envenenada
Weslenny passou mal após jantar arroz, feijão e carne moída com a mãe, o irmão e o padrasto. Segundo Nábia, ela serviu as crianças, enquanto Ronaldo fez o próprio prato.
Horas após o jantar, a menina começou a vomitar, sentir dor e ter crises convulsivas. Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe da menina contou que a filha estava chorando e pediu que fosse levada ao hospital.
“Eu entrei lá no quarto, aí ela tava chorando. ‘Mãe, minha barriga tá doendo’. E ela geladinha. Eu vi que ela não tava normal. Ela falou assim: ‘Mãe, eu não tô aguentando, me leva pro hospital’”, relatou Nábia Rosa Pimenta, em entrevista exclusiva à TV Anhanguera.
Padrasto é preso por morte de menina envenenada em Alto Horizonte
Weslenny chegou a apresentar melhora inicial, mas o quadro clínico piorou rapidamente após uma parada cardiorrespiratória.
Segundo a polícia, laudos periciais atestaram que a causa da morte da menina foi envenenamento por chumbinho, mesma substância encontrada no arroz que a família comeu naquela noite. Em depoimento no dia do crime, Ronaldo disse que foi ele quem preparou a comida.
Veneno no arroz
De acordo com apuração da TV Anhanguera, a Polícia Militar foi acionada no hospital, quando a equipe médica desconfiou da evolução do quadro de Weslenny, que não se parecia com um caso de infecção alimentar comum.
“O start foi o hospital, onde a criança evoluiu muito rápido a óbito. A maneira como o quadro evoluiu levou à suspeita”, afirmou o perito Marcelo de Castro Coelho Morais.
O fato de que as duas crianças passaram mal após a mesma refeição também gerou um alerta. De acordo com a polícia, a carne moída foi requentada, enquanto o arroz e o feijão foram cozinhados especialmente para o jantar.
Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, e o irmão, de 8, passaram mal após jantar em família; menina morreu e o menino segue internado
Reprodução/TV Anhanguera
"Tudo indica que foi durante o jantar, onde eles comeram carne, arroz e feijão. Essa carne já estava na geladeira, foi aquecida. O arroz e o feijão teriam sido confeccionados no momento. E aí, depois disso, a louça foi lavada", destacou o delegado responsável pelo caso, Sandro Leal, em entrevista à TV Anhanguera.
Além do que foi consumido pela família durante o jantar, a polícia também apreendeu outros alimentos que estavam na geladeira. Os agentes ainda encontraram quatro gatos mortos, que teriam consumido parte da comida descartada no lixo pelo padrasto.
Leia a nota da defesa na íntegra
"A defesa recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência de Ronaldo, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial, justamente para colaborar com os esclarecimentos e demonstrar sua inocência.
Informamos ainda que já foi solicitado acesso ao caderno investigativo, estando a defesa no aguardo da liberação do inquérito policial, a fim de que sejam adotadas todas as medidas legais cabíveis.
Acreditamos que, dentro em breve, aparecerão elementos que comprovarão a inocência de Ronaldo, sendo ele uma vítima do caso".
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Publicada por: RBSYS